OUTRAS SUPERQUADRAS
A SQDS 411/412 e os Blocos JK em Brasília - DF
DOI:
https://doi.org/10.59804/rdb.2025.v8.164Resumo
A superquadra foi criada por Lucio Costa como módulo residencial do Plano Piloto de Brasília. Espaços arborizados com um único acesso viário e blocos residenciais com térreo livre: uma nova forma de morar, particular à realidade brasiliense. Em meio às Asas Sul e Norte, as Superquadras Duplas (SQD) 400 se destacam pela ausência de espaços intersticiais e pelos edifícios mais baixos, com até três pavimentos, sem elevadores, garagens ou entradas de serviço. Apresentamos a história dessas quadras, investigando o contexto de criação, as particularidades morfológicas e o projeto. A pesquisa se deu a partir de investigação em fontes primárias e secundárias, além de visitas in loco. O conceito de superquadra é apresentado a partir das relações com paradigmas urbanísticos internacionais e pelas intenções inovadoras. A inserção das 400 no projeto do Plano Piloto é reconhecida como parte da construção da cidade. Como recorte espacial, analisamos a SQDS 411/412 enquanto "quadra popular", núcleo de distribuição de renda. Nela, os curiosos Blocos JK, edifícios de três pavimentos sem pilotis, levam o habitar a superquadra ao rés-do-chão. A investigação histórica nos apresenta nuances de Brasília. Para além das leituras hegemônicas da dicotomia centro vs. periferia, a complexidade do fenômeno urbano guarda particularidades. As 400 são evidência desse processo. Nelas, similaridades e contrastes à proposta original de superquadra coexistem e criam uma realidade outra. Os blocos JK reafirmam o potencial de variabilidade nas formas de interação com o meio urbano. Observamos a formação de uma região onde há maior diversidade em meio ao privilegiado Plano Piloto de Brasília.
Referências
BONDUKI, Nabil; KOURY, Ana Paula. Os pioneiros da habitação social, volume 2: Inventário da produção pública no Brasil entre 1930 e 1964. São Paulo: Sesc, 2014.
BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2012.
CARPINTERO, Antonio. Brasília: prática e teoria urbanística no Brasil, 1956-1998. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade de São Paulo, 1998.
COSTA, Lucio. Relatório do Plano Piloto de Brasília. Brasília: GDF, 1991.
_______. Brasília Revisitada. Diário Oficial do DF, ano XII, n. 201, pp. 3-15, 1987.
_______. Sobre arquitetura. Porto Alegre: CEUA, 1962.
COSTA, Maria Elisa; LIMA, Adeildo Viegas de. Brasília 57-85: do plano piloto ao Plano Piloto. Brasília: Terracap, 1985.
DERNTL, Maria Fernanda. Brasília: empreendimento imobiliário de fins dos anos 1950. Antíteses, v. 14, n. 28, p. 127-158, 2022.
DISTRITO FEDERAL. Lei Nº 556, de 07 de outubro de 1993. SINJ-DF. Disponível em https://www.sinj.df.gov.br/sinj/Norma/48515/Lei_556_07_10_1993. Acesso em 30 de julho de 2024.
FARRET, Ricardo. Urbanismo em Brasília: fundamentos e resultados. Brasília: Do Autor, 2022.
FICHER, Sylvia; LEITÃO, Francisco; BATISTA, Geraldo; FRANÇA, Dionísio. Os blocos residenciais das superquadras do Plano Piloto de Brasília. In: LEITÃO, Francisco (org.). Brasília 1960-2010: passado, presente e futuro. Brasília: Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, 2010, p. 255-269.
GOUVÊA, Luiz Alberto. Brasília: a capital da segregação e do controle social. São Paulo: Annablume, 1993.
GOROVITZ, Matheus; FERREIRA, Marcílio. A invenção da superquadra. Brasília: IPHAN, 2020.
HOLANDA, Frederico. Na contramão do apartaide. Oculum Ensaios, n. 6, pp. 4-17, 2006.
_______. Brasília: cidade moderna, cidade eterna. Brasília: FAU UnB, 2010.
HOLSTON, James. A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
LEITÃO, Francisco; FICHER, Sylvia. A infância do Plano Piloto: Brasília, 1957-1964. In: PAVIANI, Aldo et al (orgs.). Brasília 50 anos: da capital à metrópole. Brasília: EdUnB, 2010, pp. 97-135.
LEITÃO, Francisco. Do risco à cidade: plantas urbanísticas de Brasília, 1957-1964. 2003. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade de Brasília, 2003.
MEIRA, Ricardo Reis. Frente ou fundo? A inserção da casa unifamiliar na escala residencial do Plano Piloto de Brasília. 2013. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade de Brasília, 2013.
NIEMEYER, Oscar. Minha experiência em Brasília. Rio de Janeiro: Vitória, 1961.
PACHECO, Marília. Superquadra: pensamento e prática urbanística. 2007. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade de Brasília, 2007.
PERRY, Clarence. The Neighbourhood Unit: from The Regional Plan of New York and its Environs. In: LEGATES, Richard; STOUT, Frederic. The City Reader. Routledge, 2011, pp. 486-498.
REVISTA BRASÍLIA, Brasília, ano 3, n. 31, jul. 1959. Disponível em: https://www.arpdf.df.gov.br/revista-brasilia/. Acesso em: 31 jul. 2024.
_______. Brasília, ano 3, n. 36, dez. 1959. Disponível em: https://www.arpdf.df.gov.br/revista-brasilia/. Acesso em: 31 jul. 2024.
_______. Brasília, ano 4, n. 38, fev. 1960. Disponível em: https://www.arpdf.df.gov.br/revista-brasilia/. Acesso em: 31 jul. 2024.
REIS, Carlos Madson. Preservação do conjunto urbanístico de Brasília: alguma coisa está fora da ordem. In: LEITÃO, Francisco (org.). Brasília 1960-2010: passado, presente e futuro. Brasília: Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, 2010, p. 219-236.
TREVISAN, Ricardo. Incorporação do ideário da Garden-City inglesa na urbanística moderna brasileira: Águas de São Pedro. 2003. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) - Universidade Federal de São Carlos. 2003.
_______. Cidades novas. Brasília: EdUnB, 2020.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Julyana Morais dos Santos, Leonardo Nóbrega

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista Docomomo Brasil não se responsabiliza por conceitos e opiniões emitidos por seus autores. A submissão espontânea de qualquer artigo à Revista implica automaticamente na cessão integral dos direitos autorais do artigo ao Docomomo Brasil (Seção Brasileira do Comitê Internacional para a Documentação e Conservação de Edifícios, Sítios e Conjuntos do Movimento Moderno).
Os autores são incentivados a distribuírem livremente os artigos aprovados e criarem links para os artigos em suas páginas pessoais, e repositórios institucionais de divulgação científica, seguindo os critérios do Creative Commons Attribute Licence 3.0, que permite o uso e citação gratuita do trabalho, mediante a clara identificação dos autores e dos dados da publicação.
Os dados pessoais informados ao periódico serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.