DIESTE Y MONTAÑEZ E O DESENVOLVIMENTISMO NO BRASIL
Palavras-chave:
Cerâmica Armada, Dieste y Montañez, Milagre econômicoResumo
O intercâmbio arquitetônico latino-americano relaciona-se com as assimetrias econômicas e políticas que assolaram o Cone Sul do continente: embora Uruguai e Brasil vivessem ditaduras nas décadas de 1960 a 1980, o Brasil, com seu “milagre econômico”, foi o destino de muitos profissionais da arquitetura e da engenharia. O escritório Dieste y Montañez (DyM) participou do surto desenvolvimentista do Brasil, prosperando com projetos estruturais vencendo concorrências ou procurados por consultorias e arquitetos, graças às qualidades tectônicas da cerâmica armada e suas vantagens de custo e eficiência construtiva. Esse sistema construtivo, parte do Patrimônio da Humanidade pela Unesco com a Igreja de Atlántida, disseminou-se entre 1969 até meados da década de 1980 em dezenas de obras no Brasil. Sem a transcendência da obra religiosa de DyM, a construção de armazéns, silos graneleiros e edifícios em geral, aqui apontados como de alto significado patrimonial, contaram com patrocínio estatal direto ou indireto e constituem uma interface nas relações entre Arquitetura e Estado.
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