IMAGENS DO OCASO

Autores

  • Maria Paula Recena Doutora em Teoria História e Crítica de Arquitetura pelo Programa de Pós-­Graduação em Arquitetura da UFRGS;; Professora do Departamento de Arquitetura da UFRGS e do Programa de Pós-­ Graduação em Arquitetura UFRGS.

Palavras-chave:

Imagem, modernismo, memórias crepusculares, campo expandido

Resumo

A cultura da imagem, evidenciada neste momento, propõe novas leituras do patrimônio arquitetônico moderno. Os modos de operar por meio da inserção massiva de imagens e vídeos em mídias sociais, como instagram, e sites de vídeo, como youtube, permitem a construção de novas narrativas. As imagens decupadas e remontadas, ressurgem, então, com novos significados. Este artigo busca o cruzamento da ideia de twilight memories, de Andreas Huyssen (1995) e de expanded field, de Rosalind Krauss (1979). Diante de imagens às quais se anexam interpretações, abre-­se um campo que não é exclusivamente o da arquitetura, nem exclusivamente o da fotografia ou da imagem;; abre-­se um campo ampliado em que se inscreve uma narrativa ainda por ser analisada. O crepúsculo, como indica Huyssen, nem nascimento nem declínio, é uma possibilidade a ser explorada. Um campo que se apresenta na constituição de novas leituras do movimento moderno. No ocaso de belos edifícios, o que está em jogo são as memórias perdidas ou as memórias que se constituem em um porvir? Como o Movimento Moderno será interpretado na segunda metade do século XXI? Abre-­se, finalmente, a questão entre a manipulação das imagens, geradoras de novas imagens, e a questão das imagens que denunciam situações de abandono e negligência. Na justaposição de dois significados, uma terceira leitura se instaura.

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Publicado

2025-09-23

Como Citar

Recena, M. P. (2025). IMAGENS DO OCASO. Seminário Docomomo Brasil: Anais, 13, 1–10. Recuperado de https://publicacoes.docomomobrasil.com/anais/article/view/611