AS ESTAÇÕES RODOVIÁRIAS MODERNISTAS NO BRASIL E O IMAGINÁRIO DO “EDIFÍCIO-CIDADE”
Palavras-chave:
estação rodoviária, imaginário do modernismo brasileiro, arquitetura modernista brasileiraResumo
Entre as décadas de 1960, 1970 e os primeiros anos da década de 1980 observou-se no Brasil um acelerado processo de urbanização e industrialização. A rodovia consolidava-se como o principal modal de transporte, com o apoio estatal dos planos de integração do território. Nesta conjuntura, a estação rodoviária estabelecia-se como um programa indispensável para as cidades brasileiras de distintas regiões e escalas. Este programa tornara-se uma espécie de laboratório para a produção modernista de arquitetura pública. Seguindo o exemplo da Plataforma Rodoviária de Brasília, muitas estações rodoviárias assumiam uma escala monumental e urbana, incorporando o imaginário modernista de “edifício-cidade”: infraestrutura capaz de dissolver de forma simbólica os limites entre arquitetura e urbanismo. Neste contexto, a produção que sucedeu a Plataforma Rodoviária de Brasília repercute uma variação do imaginário de “edifício-cidade” muito própria do modernismo brasileiro, a ideia do edifício como “uma grande praça coberta”.
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