VANGUARDA ARQUITETÔNICA E IMPASSE POLÍTICO

dois quartéis militares modernos (1965-1971)

Autores

  • Victor Próspero Arquiteto e Urbanista, doutorando pela FAUUSP

Palavras-chave:

Arquitetura Moderna Brasileira, História de São Paulo, Ditadura Militar

Resumo

O artigo aborda dois casos oportunos para a reflexão sobre a relação entre atuação projetual e discurso político em um recorte histórico marcado pelo impasse político: a ditadura civil-militar instaurada em 1964 no país. Os projetos em foco são dois quartéis militares projetados por arquitetos filiados ao Partido Comunista do Brasil à época: o Quartel do II Exército em São Paulo, por Paulo de Melo Bastos em 1965, e o Quartel da Guarda Territorial em Macapá, por João B. Vilanova Artigas, em 1971. É possível notar em ambos os projetos a permanência de procedimentos de projeto que ficaram associados historicamente às esperanças de transformação social do nacional-desenvolvimentismo na passagem dos anos 1950 para 1960, de modo que os casos configuram importante nó para a análise de um momento ambíguo da história do campo profissional e da produção arquitetônica, quando o mesmo estado que perseguiu e reprimiu, também contratou e incorporou a estética da modernidade que lhe precedia. Interessa, portanto, aliar os olhares para a história interna da arquitetura, de seus procedimentos técnicos e de formalização, por um lado, e, por outro, para a circulação de ideias e a posição desses edifícios no contexto histórico político e cultural.

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Publicado

2025-09-23

Como Citar

Próspero, V. (2025). VANGUARDA ARQUITETÔNICA E IMPASSE POLÍTICO: dois quartéis militares modernos (1965-1971). Seminário Docomomo Brasil: Anais, 13, 1–15. Recuperado de https://publicacoes.docomomobrasil.com/anais/article/view/543