UMA SEMANA COMUM DE ARTE MODERNA

A EXPERIÊNCIA DE MODERNIDADE E OS PRIMEIROS ARRANHA-CÉUS DO RIO DE JANEIRO

Autores

  • Guilherme Bueno Doutor em Artes Visuais – UFRJ, Professor Adjunto da Escola de Belas Artes – UFMG

Palavras-chave:

arranha-céu, arquitetura moderna, Rio de Janeiro, historiografia da arquitetura

Resumo

A proposta da comunicação é apontar para os dilemas presentes na recepção crítica e intelectual dos primeiros arranha-céus erguidos no Rio de Janeiro. Tomando como pretexto o quarteirão Serrador e seu contraste com os antigos marcos da Avenida Central, levantamos as seguintes hipóteses: ainda que inscrita na cotidiano, a experiência de modernidade carioca nos anos 1920 mantém como referencial sua versão parisiense do século XIX, o que explica a reação ao manhattanismo; o hibiridismo de soluções enfatiza o fato do arranha-céu não possuir ainda um modelo definido e todas as suas abordagens pareceriam válidas, correspondendo a um segundo ecletismo; o mal estar sentido frente a ele aponta para o temor de decadência dos valores de classe do academicismo. Para desenvolver nosso argumento, propomos uma leitura cruzada de obras literárias como as de Benjamim Costallat, Alvaro Moreyra e Berilo Neves com artigos de periódicos de arquitetos atuantes na época e as referências bibliográficas internacionais disponíveis àquele meio, como os livros sobre arranha-céus publicados por William Starrett e J.L. Kingston.

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Publicado

2025-09-23

Como Citar

Bueno, G. (2025). UMA SEMANA COMUM DE ARTE MODERNA: A EXPERIÊNCIA DE MODERNIDADE E OS PRIMEIROS ARRANHA-CÉUS DO RIO DE JANEIRO. Seminário Docomomo Brasil: Anais, 13, 1–17. Recuperado de https://publicacoes.docomomobrasil.com/anais/article/view/530