CATEDRAL DE BRASÍLIA
Forma-estrutura atectônica e experiência empática
Palavras-chave:
Catedral de Brasília, forma-estrutura, atectônica, experiência empáticaResumo
A proposta deste artigo é discutir o projeto e construção da Catedral de Brasília, sobretudo o que diz respeito à “cúpula da nave”, tendo como princípio o conceito forma-estrutura, que procura caracterizar a fusão e condensação expressiva entre a forma e a estrutura de certas edificações em uma única essência. Conceito formulado de modo transdisciplinar a partir de fundamentos teóricos da arquitetura e da engenharia estrutural e da relação intrínseca que envolve estas disciplinas no âmbito do projeto e da construção. Trata-se de uma discussão cujo corpus teórico é consubstanciado pelas proposições de Eduard Franz Sekler (1965, 1967) e Kenneth Frampton (1995) sobre tectônica e construção no sentido de aprofundar a análise no que diz respeito à expressão tectônica, que pode ser entendida também como experiência empática. Discussão que, mais especificamente, conta ainda com uma série de reflexões do engenheiro Joaquim Cardozo que, em conjunto com proposições de Adrian Forty, Sophia Telles, Edson Mahfuz e Miguel Wisnik, contribuem sobremaneira para circunscrever o objeto em questão. A partir deste recorte, pretende-se contribuir para o aprofundamento da discussão sobre a relação entre arquitetura e engenharia estrutural que atravessa a Arquitetura Moderna no Brasil, e que, a nosso ver, tem sido pouco considerada na sua historiografia e, portanto, na sua história.
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