A DOMESTICIDADE MODERNA COMO FORMA DE PATRIMÔNIO
Uma análise morfológica da casa-museu Ema Klabin e da casa de vidro de Lina Bo Bardi
Palavras-chave:
casas-museus, análise sintática do espaço, morfologia do espaçoResumo
O presente artigo tem como propósito abordar a relevância da morfologia das casas modernas que se transformaram em casas-museu, bem como investigar o impacto linguístico ocasionado pelas decisões de aberturas ou fechamentos dos ambientes de acesso ao público nas instituições. Entendemos que as casas-museu, que visam transmitir a domesticidade como forma de patrimônio, devem ser moldadas tendo em mente que são uma matéria-prima relevante para a transmissão da cultura e da memória intima do individuo que ali residia. Sendo assim, a principal motivação para o desenvolvimento desta pesquisa tem por base a premissa de que devemos compreender a potencialidade da experiência espacial das casas modernas e investigar as consequências morfológicas quando transformadas em instituições museológicas. Para ilustrar tal ideia, são estudadas a casa-museu Ema Klabin e a casa de vidro de Lina Bo Bardi, ambas as instituições localizadas em São Paulo. Analisamos a morfologia dos seus ambientes sob a ótica da sintaxe espacial, identificando conexões entre as relações sociais e a lógica de apropriação dos espaços. Em seguida, consideramos o seu processo de transformação em museu, do ponto de vista morfológico, tendo como base as definições de ambas instituições sob a ótica dos visitantes, ou seja, avaliamos cuidadosamente as possibilidades de caminhos que os visitantes podem se deslocar dentro dos dois museus, a fim de comparar os padrões de linguagem existentes em seu momento casa e em seu momento museu.
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