ANASTILOSE URBANA
CONSIDERAÇÕES SOBRE RECONSTRUÇÕES NO ESPAÇO URBANO CONSOLIDADO
Palavras-chave:
Anastilose Urbana, Reconstrução, Pavilhão Alemão, Campanário de VenezaResumo
A reconstrução é uma prática não muito bem vista pelos profissionais da conservação do patrimônio, apesar de ter sido muito praticada, especialmente no pós-guerra frente à grande destruição de edificações e monumentos importantes. No que diz respeito à arquitetura, a ação da reconstrução é bastante criticada, especialmente em casos de reconstruções totais. Enquanto, por um lado, se apoia as reconstruções por se reconhecer a valorosa contribuição para a história da arquitetura, por outro, se questiona o seu real valor por, na grande maioria dos casos, não representarem a originalidade da matéria necessária a seu completo reconhecimento. O presente artigo tem como objetivo levantar uma discussão sobre as reconstruções de edificações de importância e valores reconhecidos e que estão inseridas em um contexto urbano consolidado. Neste sentido, “anastilose urbana” é proposta como ato de recolocar nesta paisagem um elemento que foi subtraído, mesmo que sua reconstrução não aconteça com os materiais originais, como requer a prática nas artes e na arquitetura. Dessa forma, as reconstruções serão analisadas do ponto de vista do contexto urbano e não apenas arquitetônico. A abordagem é feita a partir dos estudos de caso do Pavilhão Alemão para a Exposição de Barcelona (Mies Van Der Rohe) e o Campanário de Veneza.
Downloads
Referências
AURÉLIO, Dicionário. Contexto. Disponível em: <https://dicionariodoaurelio.com/contexto>. Acesso em: 13 de mai de 2019.
BRANDI, Cesare. Teoria da restauração. Ateliê editorial, 2004.
DE ANDRADE JUNIOR, Nivaldo Vieira. “Novas” questões na teoria da restauração do patrimônio urbano: identidades culturais, função social e participação dos usuários. PARC Pesquisa em Arquitetura e Construção, v. 4, n. 1, p. 63-79, 2013.
FARRELY, Lorraine. Fundamentos de arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2014.
FROTA, José Artur D.'Aló; CAIXETA, Eline Maria Moura Pereira. Art e cidades: novas paisagens urbanas no século XXI. Arqtexto. n. 8 (2006), p. 64-73, 2006.
FUNDACIÓ MIES VAN DER ROHE. El Pabellón. Disponível em: <https://miesbcn.com/es/el- pabellon/>. Acesso em: 25 fev. 2019.
GUGGENHEIM. Disponível em: <https://www.guggenheim.org/arts-curriculum/topic/the-constructors>. Acesso em: 02 maio 2019.
MADDEN, Thomas F. Venice: a new history. Penguin, 2012.
NAHAS, Patricia Viceconti. A capacidade de “escutar” o monumento. O limite entre a criatividade projetual do novo e a conservação do antigo na obra de Giovanni Carbonara. Resenhas Online, São Paulo, ano 16, n. 184.06, Vitruvius, abr. 2017
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/16.184/6510>.
PELLEGRINI, Ana Carolina Santos; COMAS, Carlos Eduardo Dias. Bolonha, Barcelona, Firminy: quando o projeto é patrimônio. Arqtexto. n. 12 (2008), p. 204-239, 2008.
PELLEGRINI, Ana Carolina Santos. Quando o projeto é patrimônio: a modernidade póstuma em questão. Tese de Doutorado em Teoria, História e Crítica, PROPAR - UFRGS. Orientador: Prof. Dr. Carlos Eduardo Dias Comas, 2011.
RIEGL, Alois. O culto moderno dos monumentos: a sua essência e a sua origem. São Paulo: Perspectiva, 2017.
RODRIGUES, Angela Rosch. A problemática da ruína: das teorias da preservação patrimonial do século XIX ao restauro crítico. Revista CPC, n. 24, p. 9-34, 2017.
SANTOS, Rafael Barcellos. O projeto como patrimônio não construído: O Teatro do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado, Universidade do Porto, 2009.
SHAW-KENNEDY, Ronald. Venice rediscovered. Associated University Presse, 1978. SMITH, Laurajane. Uses of heritage. Routledge, 2006.
SOUZA, Luis Antonio Lopes. Wiederaufbau: a Alemanha e o sentido da reconstrução. Parte 1: A formação de uma nação alemã. 2009.
TONETTI, Ana Carolina. Interseções entre arte e arquitetura. O caso dos pavilhões. Dissertação de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Orientador: Prof. Dr. Agnaldo Aricê Caldas Farias, 2013.
VILAÇA, Ricardo André Loução. A praça e a torre: um estudo crítico da obra de Mies van der Rohe na sua relação com o espaço público. Dissertação de Mestrado em Arquitetura e Artes, Universidade Lusíada de Lisboa, 2015.
DE BURRA, Carta. Carta para la conservación de lugares de valor cultural. ICOMOS Australia, 1979.
DE VENEZA, Carta. Carta internacional sobre conservação e restauração de monumentos e sítios. In: II Congresso internacional de arquitetos e técnicos dos monumentos históricos. 1964.
CONFERÊCIA DE NARA. Conferência sobre autenticidade em relação a convenção do Patrimônio Mundial. 1994