FLÁVIO DE CARVALHO
CIDADE E HABITAÇÃO
Palavras-chave:
Flávio de Carvalho, arquitetura moderna, homem modernoResumo
A arquitetura desenvolvida por Flávio de Carvalho, ao que parece, não pretende apresentar vínculos institucionais com o Estado vigente e nem com o próprio “projeto moderno”. A questão de identidade nacional está mais vinculada às questões discutidas no início de 1920, com Oswald de Andrade e a Antropofagia discutida em São Paulo. Assim, sua arquitetura não procura representar e muito menos “mitificar” determinada força política, mas procura as questões sociais fora do campo político. As questões sociais aparecem em suas discussões sobre cidade, sociedade e habitação, além da própria concepção de homem moderno. A preocupação com a formação de uma sociedade moderna está mais vinculada à idéia de progresso e de vida do que a concepção desenvolvimentista da sociedade apresentada pelo projeto moderno. É uma outra visão de identidade nacional, que não afirma uma determinada força política, mas busca características e valores brasileiros. A única preocupação política apresentada em seus textos aparece quando ele discute a formação de uma sociedade a partir de um Estado forte, que pode organizar o sistema econômico e produtivo, capaz de se responsabilizar pela reformulação de uma sociedade nova. Isso se reflete consequentemente aos seus trabalhos onde discute a cidade e a casa do homem moderno. Essa postura apresentada por Flávio de Carvalho aparece tanto em alguns textos desenvolvidos na década de 1920 e 30, como em projetos arquitetônicos desenvolvidos no mesmo período. Os textos e projetos a serem apresentados para esta análise serão respectivamente: A cidade do homem nu (1930), Uma concepção da cidade do amanhã (1932), o folheto explicativo do conjunto de casas da Alameda Lorena (1938), A casa do homem do século XX (1938), Projeto para o Palácio do Governo do Estado de São Paulo (1927) e Projeto de uma Vila na Alameda Lorena (1936-38).
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