Modernidade arquitetônica e internacionalismo nos trópicos
O Edifício Central do Instituto de Educação da Paraíba (1936-1939)
Palavras-chave:
Internacionalismo, Arquitetura tropical, Diretoria de Viação e Obras PúblicasResumo
As idiossincrasias, ambiguidades e contradições da modernidade arquitetônica em formação no Brasil dos anos 1930 e os impasses implicados na sua relação com as contingências próprias aos trópicos, constituem o horizonte a partir do qual propõe-se uma interpretação do Edifício Central do Instituto de Educação da Paraíba, projetado e construído pela Diretoria de Viação e Obras Públicas (DVOP) entre 1936 e 1939. Subjacente a isso, está a intenção de investigar os percursos, projetuais e discursivos, trilhados pela arquitetura moderna no Brasil nos anos 1930, atentando para o que esta década guarda de peculiar enquanto momento de experimentação, marcado pela dispersão de iniciativas e a diversidade de posturas e manifestações de modernidade arquitetônica, em plena e acirrada disputa pelo espaço arquitetural. Longe de ser considerada um destino exótico onde surpreender obras extemporâneas de modernidade arquitetônica, pitorescas pelo inusitado das circunstâncias em que se realizaram, a Paraíba é vista como mais um lugar possível para observação dos embates travados em defesa da causa moderna na arquitetura, sua lógica, sentido e primazia, frente à necessidade de legitimidade sobre as demais propostas em disputa. Como mais um campo de teste em que se averiguar a validade universal dessa arquitetura; uma espécie de prova dos nove, agora, nessa “periferia da periferia”.
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