A ÉTICA HABITANTE E O ESPÍRITO DO BRUTALISMO
Palavras-chave:
brutalismo, ética, estéticaResumo
Nosso propósito, neste texto é destacar o conceito de habitante na ética do brutalismo. Considerando este movimento como a última trincheira do modernismo (Fuão, 2000) avento que as propostas residenciais do brutalismo, sobretudo aquelas baseadas no conceito de megaestrutura, levaram à outrance a crença modernista nas possibilidades do progresso tecnológico bem como no poder da arquitetura em transformar o quadro de vida. Para melhor desenvolver a ideia central, investigo os casos da unidade de Marselha e de Pruitt-Igoe, edifícios emblemáticos da ética brutalista, no plano internacional e, finalmente, o Parque Boa Vista, uma megaestrutura brutalista residencial realizada em Recife. Tanto os exemplos do exterior que eram para a habitação social quanto o exemplo brasileiro que se destinava à habitação de padrão médio adotaram padrões construtivos (da implantação à infraestrutura) que implicam em altos custos de manutenção. Este fato, somado a outros fatores, implicaram na demolição, no caso de Pruitt-Igoe ou numa sobrevivência difícil, nos demais casos. As razões para as diferentes evoluções destas edificações conduzem-nos a uma reflexão em que, na verdade, mais do que a relação entre ética e estética evidencia- se o limitado poder da arquitetura. Deste modo, questionam-se aqui interpretações correntes quanto ao alcance de projetos de habitação social bem como do gesto arquitetural em geral.
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Referências
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