ÉTICA E ARQUITETURA:
A RESPONSABILIDADE DE UMA NOVÍSSIMA CRÍTICA EM PORTUGAL
Palavras-chave:
Portugal, crítica, éticaResumo
O argumento que se desenvolve no seguinte artigo defende que os princípios estruturantes do “Novo Brutalismo” encontraram eco em Portugal através de uma nova geração de arquitetos empenhada em desenvolver uma base teórica mais sólida que permitisse trilhar novos rumos para a arquitetura a partir de finais dos anos 1950.
A metodologia que se propõe seguir passa por recuperar alguns dos argumentos que Reyner Banham definiu no artigo de 1955, publicado na Architectural Review, e redefiniu em 1966 no livro que recuperava o mesmo título e lhe acrescentava uma pertinente interrogação: “The New Brutalism. Ethic or Aesthetic?”. Ambos se centram nas propostas dos arquitetos Alison e Peter Smithson e na sua participação em dois importantes círculos intelectuais: um grupo artístico considerado antecessor da Pop Art; e a nova geração de participantes dos CIAM, que reunida sob a designação “Team 10” acabaria por ser determinante para o seu fim.
A luta contra os academismos e historicismos, a atenção à realidade e à forma como cada cultura define formas específicas de habitar, e a introdução de margens de flexibilidade nos usos constituem pontos essenciais de uma nova ética que será assumida também por uma geração crítica portuguesa que se revela atenta ao debate internacional. Entre os arquitetos mais ativos na atividade crítica, dividida entre o projeto e a investigação, o estudo da história e o ensino, encontram-se Nuno Portas (1934) e Pedro Vieria de Almeida (1933-2011). As suas investigações sobre programas coletivos incidirão sobretudo nos utilizadores e seus comportamentos, suas necessidades mutáveis e na capacidade do espaço poder sugerir e estruturar novas formas de vida.
A clarividência crítica que demonstram, em textos frequentemente publicados em periódicos generalistas com um público-alvo mais vasto, revela-se não só perante obras de colegas de geração, caso das primeiras recensões à obra de Álvaro Siza (1933), mas também em obras nas quais têm responsabilidades diretas, como a Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa: saída do ateliê de Nuno Teotónio Pereira (1922), onde Portas e Vieira de Almeida trabalham, é considerada obra-síntese de uma determinada concepção espacial, funcional e ética da arquitetura portuguesa dos anos sessenta.
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Referências
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